terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

POWER - O PODER POR TRÁS DA ENERGIA.



VÍDEO 2, PARA OS NONOS ANOS - PARA SE FUNDAMENTAR

A energia: questões sócio-históricas locais e globais por trás desse tema (conhecimento científico), que devem se antecipar, antes de compreende-lo de forma "inocente, despretensioso e neutro".

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

A miopia através dos óculos da cultura digital e da meta estatística do IDEB em 2022

         A BNCC propõe ao educador brasileiro que a cultura digital vem promovendo na contemporaneidade mudanças sociais significativas (BRASIL, 2017).

         E o que é essa tal cultura? Em princípio, a informação mais acessível e tecnologias em constantes atualizações por meio de comunicações multimídias digitalizadas e computadorizadas entre os seres humanos, numa rede que passou a se chamar de ciberespaço, são inegavelmente vistas como positivas nos processos de ensino-aprendizagem. Resumidamente, e categorizando o complexo, usa-se a expressão Tecnologias da Comunicação e Informação Digital (TICD) como protagonista do ser denominado cibercultural. Tem-se, então, a cibercultura com suas práticas sociais virtualizadas. Mas, antes do deslumbre tecnologizador, deve-se ter bem claro que a tal cibercultura é protagonizada pela TICD computadorizada. Quer dizer, possui autor (s), geralmente do gênero masculino, eurocêntrico, com metas e objetivos, e atua no mundo real com práticas sociais concretas.
         E isto, numa visão bem crítica-estruturalista! Porém, microficamente falando em favor das comunidades diversas e específicas do Brasil na escola pública, e num recorte limitado que não deixe de antever as influências/contribuições orgânicas no âmbito global, o cibercidadão historicamente silenciado e marginalizado como "diferente cultural" terá condições de protagonizar efetivamente suas ações em buscas de melhorias em sua própria comunidade? Claro que não, pois a meta do Brasil é que em 2022 o/a estudante, mediante o IDEB atinja uma nota medial de 6,0! Esse fato legitimaria o nosso país como aquele de primeiro mundo, pois essa média é a mesma dos países propalados como desenvolvidos. Percebe-se aí que não se quer saber se a estatística é míope para os conflitos e outras situações de relevância social. O interesse é numérico e não humano e solidário.
         É neste sentido que vejo que os Projetos Políticos Pedagógicos das nossas escolas devam possuir metas não apenas destinadas aos exames estatísticos governamentais, mas às realidades concretas comunitária e focando em problemas de relevância social.
          

MEC ABRE INSCRIÇÃO PARA CURADORES DA PLATAFORMA INTEGRADA DE RECURSOS EDUCACIONAIS


MEC ABRE INSCRIÇÃO PARA CURADORES DA PLATAFORMA INTEGRADA DE RECURSOS EDUCACIONAIS

MEC ABRE INSCRIÇÃO PARA CURADORES DA PLATAFORMA INTEGRADA DE RECURSOS EDUCACIONAIS

Este curso tem o objetivo de trazer uma formação em curadoria de recursos educacionais digitais (REDs) nas áreas de Linguagens, Ciências Humanas, Matemática e Ciências da Natureza. Serão disponibilizadas vagas para professores da rede pública de ensino em efetivo exercício da função, cujas escolas estejam cadastradas no Censo Escolar de 2017, e interessados em fazer a curadoria dos recursos ambientados na Plataforma de Recursos Educacionais Digitais do MEC.
No momento da inscrição, os/as interessados/as deverão selecionar a escola a qual estejam vinculados, anexando documento comprobatório de experiência com o uso de recursos educacionais digitais, no ambiente escolar. Àqueles/as professores/as que já possuem cadastro no Ambiente Virtual de Aprendizagem do MEC (AVAMEC), devem verificar se informaram a escola onde atuam, no campo correspondente.
O curso terá duração de 4 meses, com início previsto para fevereiro de 2019.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Sala de aula invertida: o que é, exemplos e como pôr em prática

A sala de aula invertida, ou flipped classroom, é uma metodologia de ensino que fica embaixo do guarda-chuva do Ensino Híbrido. Ele mistura o on-line e o off-line como ferramenta para potencializar o trabalho do professor e o aprendizado dos alunos.
 

O contexto da sala de aula invertida

Imagine a seguinte cena: você chegando pra dar aula de manhã, seus alunos na sala, todo mundo já estudou em casa o tema de hoje. E os 45 minutos de aula? Bem, você usaria para fazer atividades, tirar dúvidas, fazer trabalhos, ou até mesmo trabalhar em cima de um projeto bimestral.

sala de aula invertida - Ensino Híbrido

Meio estranha essa ideia né? Qual a chance disso funcionar em uma escola? E se a gente te contasse que já tem gente fazendo isso pelo Brasil e pelo mundo?!
A prática de hoje vai te apresentar o conceito de Sala de aula Invertida e como você pode aplicá-la em sua escola.
Mas antes de partirmos para ação e reestruturarmos a forma como a aula acontece, vamos entender o que está por trás de tudo isso!

A teoria que está por trás da sala de aula invertida

O conceito de Sala de aula Invertida vem da ideia de se fazer em casa o que era feito em sala, por exemplo, assistir uma aula expositiva e fazer em sala o trabalho que era feito em casa, como: resolver problemas, fazer atividades, trabalhos escolares, projetos, etc.
Esse conceito começou a ser desenvolvido já na década de 90, com autores como Eric Mazur, em seu livro “Peer instruction: User’s manual” e Gregor Novak em “Just-in-time Teaching”, que trabalham com a ideia de que o aluno já deve vir preparado para a sala de aula, tendo esse primeiro contato com o tema em casa (não necessariamente com a ferramenta internet) para usar o tempo de aula com o objetivo de potencializar seu aprendizado.
baker - flipped classroom
Créditos da foto: Scott L. Huck/Cedarville University

No ano 2000, aliado a popularização da internet, o termo ganhou forças graças a J. Wesley Bakerem seu trabalho “Flipped Classroom” apresentado na 11ª Conferência Internacional de Ensino e Aprendizagem Universitária, na Flórida.
A partir de então, universidades nos EUA, como Duke, Stanford, Harvard e Massachutsetts Institute of Tecnology, testaram e aprovaram a Sala de aula Invertida tornando-a uma tendência crescente em educação em vários países como Finlândia, Singapura, Holanda e Canadá (SCHMITZ, 2016).
Ainda de acordo com Elieser Schmitz (2016), no Brasil, algumas escolas e universidades já aplicam essa abordagem, como é o caso do Colégio Dante Alighlieri, das universidades UNIAMÉRICA, UNISAL, PUC do Paraná e Universidade Positivo.
O termo Sala de aula Invertida pertence a um guarda-chuva maior em educação, o Ensino Híbrido, ou também conhecido como blended learning (b-learning). Para Luísa Miranda (2005),

"ensino híbrido “é uma combinação dos recursos e dos métodos usados face a face e online, com a qual se procura tirar partido das vantagens de qualquer um dos dois sistemas de aprendizagem”.

 
Segundo Christensen, Horn, e Staker (2013) no ensino híbrido, a Sala de aula Invertida surge como ferramenta para professores tradicionais engajarem seus alunos, sendo o modelo mais simples para dar início à implantação do ensino híbrido, dependendo apenas de um bom planejamento dos professores.

Invertendo a sua aula!

O processo de inversão da sala de aula exige do professor dois aspectos importantes: o primeiro um bom planejamento de aula, com uma sequência de didática bem estruturada conectando as habilidades e conteúdos a serem desenvolvidos na aula; o segundo, um olhar atento ao que já existe na internet de videoaulas, slides, textos, ou seja, materiais educativos.
colecao-de-conteudos-educacionais
Foto por: Jerrit Peinelt em Unsplash

#1 passo

O primeiro passo é estruturar os conteúdos que seriam passados em sala, num ambiente virtual, para que os alunos possam acessar no tempo deles, quando eles quiserem e quantas vezes eles quiserem.
Para isso, existem ferramentas já consolidadas no mercado, como o Sílabe, que é gratuito e te permite criar um ambiente inteiro de aprendizagem online conectando conteúdos externos (videoaulas, slides, textos) à plataforma.
Alguns professores da rede das Práticas já relataram que usam também outras plataformas como o Moodle e até mesmo Facebook para disponibilizar os materiais.

#2 passo

O segundo passo é fazer uma curadoria dos conteúdos já existentes na internet. Existem plataformas como Khan Academy e o YouTube que são verdadeiros pólos de bons vídeos educativos, que costumeiramente são rápidos, dinâmicos e, principalmente, curtos. Inclusive já fizemos um post no blog do Sílabe falando sobre os 5 melhores canais educacionais no YouTube.
Além de usar vídeos, é possível estimular as diferentes formas de aprendizado conectando outras fontes de conteúdo, como imagens, textos, slides, questões, etc.
Lembrando que caso você não encontre vídeos ou conteúdos na internet que te satisfaçam, é possível gravar-se em formato de vídeo ou áudio em ferramentas que existem no seu próprio celular!

#3 passo

Depois de estruturar o que os alunos aprenderão pela plataforma, é hora de planejar o que será feito no tempo de aula. Para isso, um bom roteiro de atividades, projetos, ou trabalhos que se conectem com o que o aluno viu pela plataforma é fundamental.
Na parte que falamos de alguns exemplos de diferentes áreas do conhecimento, traremos algumas experiências de professores que conseguiram fazer essa conexão, unindo o ambiente online e offline.
Por fim, é sempre importante lembrar que para dar certo, os alunos precisam acreditar que essa nova proposta vai ser boa para eles. Sem uma abertura ou engajamento efetivo deles, vai ser muito mais difícil obter bons resultados e ao invés de ajudar a nova metodologia passa dificulta a aprendizagem.
Um bom relacionamento entre o professor e os alunos é fundamental para quebrar essa primeira barreira de resistência à mudança. Afinal, inverter uma sala de aula exige não só a mudança de comportamento do professor, como também dos alunos que agora terão um papel ativo em sua aprendizagem.
É importante ter resiliência e flexibilidade nessa hora para conseguir equilibrar entre não insistir em um formato quando percebe que não vai render bons frutos e não desistir de algo que acredita ser melhor para os seus alunos.

 
Conheça a prática da professora Jorgelina Tallei sobre Podcasts e Sala de Aula Invertida!
 

 

Exemplos Práticos de Sala de Aula Invertida

Agora que conversamos sobre o contexto da sala de aula invertida, a teoria que está por trás e mostramos um passo a passo de como aplicar em sala de aula, vamos a exemplos ainda mais concretos para que você possa já aplicar amanhã a sala de aula invertida.

Invertendo uma aula de humanas

Como essa Prática é voltada para o ensino médio, traremos temas/ideias para esse público, mas sempre é possível aplicar a qualquer outro tipo de realidade, basta usar a criatividade!
Em uma aula de Gramática, por exemplo, sobre regras de acentuação. A professora Vanessa Bolina do colégio Objetivo Sorocaba, colocou um depoimento super legal no YouTube mostrando como organizou sua Sala de aula Invertida por meio do Sílabe.
Primeiro ela organizou na plataforma vídeos, textos, slides, etc. para que os alunos estudassem em casa sobre o tema. Depois, já em sala, ela fez uma revisão sobre o que foi visto num modelo interativo de pergunta e resposta, colocando todos os alunos na mesma página.
Em seguida, para promover ainda mais dinamismo na aula, ela trouxe um Quizz de acentuação para ser respondido em grupo. E por fim colocou uma atividade para ser respondida na plataforma.

Invertendo uma aula de exatas

Em uma aula de Física, sobre Movimento Uniforme, Velocidade Escalar Média, ou até sobre lançamento horizontal (e oblíquo) é possível levar os alunos a campo, num laboratório de ciências ou na quadra da escola para estudar esses fenômenos acontecendo.
Para isso, é preciso organizar na plataforma vídeos, textos, slides, etc. para que os alunos possam estudar em casa o tema da aula. Depois, fazer uma revisão sobre o que foi visto (retomando as fórmulas, conceitos, tirando dúvidas) com o objetivo de colocar os alunos na mesma página.
Para então, ir a campo observar e calcular esses fenômenos, utilizando ferramentas como fita métrica, cronômetro e câmera do celular.

Invertendo uma aula de biológicas

Também é possível trazer um modelo menos complexo de aula, trazendo somente o que seria feito em casa para a sala. Como por exemplo, numa aula de Biologia sobre genética. É possível utilizar recursos multimídia como vídeos, modelos 3D e animações para que os alunos consigam visualizar melhor como funciona a genética e utilizar o tempo de aula para fazer exercícios em grupo ou individualmente, tirar dúvidas, fazer uma revisão ou até mesmo montar grupos de estudos.
 

Gostou do conteúdo?

Esse texto faz parte de um projeto aqui no Sílabe chamado Práticas Educacionais. Produzido pelo time do Sílabe e pela nossa rede, as Práticas levam para as mãos de professores de todo Brasil dicas de atividades, exercícios e metodologias para serem usadas dentro da sala de aula.

Referências

  1. What is the Flipped Classroom model, and how to use it?
  2. Elieser Schmitz (2016). Sala de aula Invertida.
  3. Eric Mazur. Peer instruction: User’s manual.
  4. Gregor Novak. Just-in-time Teaching.
  5. The “Classroom Flip”: Using Web Course Management Tools to Become the Guide by the Side.
  6. Luísa Miranda (2005). Educação online: interação e estilos de aprendizagem de alunos do ensino superior numa plataforma web.
  7. Clayton M. Christensen, Michael B. Horn, e Heather Staker (2013). Ensino Híbrido: uma Inovação Disruptiva? Uma introdução à teoria dos híbridos.
  8. YouTube Educação e os 5 melhores canais educacionais
  9. Luciano Dias da Silva. A sala de aula invertida (na prática)
 
 

Updated on: 
Por Henrique Sá

 Fonte: https://silabe.com.br/blog/sala-de-aula-invertida-o-que-e-exemplo-e-como-por-em-pratica/

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Prof. Luiz Carlos Molion: não existe aquecimento global!



Não confunda: as FORMAS DE DEGRADAÇÕES AMBIENTAIS LOCAIS, frutos do condicionamento que nos impuseram ao consumismo de produtos industrializados, que não antevê o ser humano coletivista, solidário, altruístas, mas sim individualista, egoísta e arrogante com a falácia do AQUECIMENTO GLOBAL!

domingo, 11 de novembro de 2018

1ª TechCamp Pará


1ª TechCamp Pará



A Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC/PA), por meio do Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE), vai promover no dia 14 de dezembro a 1ª TechCamp Pará.

A TechCamp é uma mostra científica voltada para a criação de projetos na área de STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática),  na Rede Estadual de Educação Básica.

O evento irá acontecer na Escola Estadual Augusto Meira, na Região Metropolitana de  Belém (RMB), e incentiva a busca de soluções para problemas locais, de modo a inspirar e capacitar e despertar o interesse pela tecnologia.

Serão selecionados 20 projetos de professores e alunos para participar da mostra, sendo dez para escolas da Região Metropolitana de Belém (RMB), quatro de Abaetetuba, três de Moju e três de Barcarena. Os participantes poderão trocar experiências, participar de mini cursos e oficinas ao longo da programação.

As inscrições poderão ser realizadas até o dia 16/11, pelo site: http://gg.gg/techcamp 

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Salto Para o Futuro 2018 | Música nas Escolas




30/10 - Belém - Pará
IFPA - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Campus Belém
A IV Semana de Integração, Ciência, Cultura e Tecnologia – SITECC/2018 com o tema: Ciência, Empreendedorismo Social e Tecnologia para a Redução das Desigualdades, possibilita a socialização dos resultados das práticas docentes desenvolvidas em sala de aula com os alunos dos cursos Técnicos (integrado e subsequente) e Superiores (Tecnologias, Licenciaturas e Engenharias) do IFPA Campus Belém. O evento englobará o XXVII Seminário Integrador das Licenciaturas – SEIL, a II Mostra de Projetos de Ensino – MPE e a socialização dos Projetos Integradores. O evento acontecerá nos dias 30 e 31 de outubro a 01 de novembro no período da manhã, tarde e noite no IFPA Campus Belém.


sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Intérpretes do Brasil - 02 - Saberes, por Manuela Carneiro da Cunha

Ciência vai ao encontro da tradição


Início


Ciência vai ao encontro da tradição


Quem nasceu no Pará e tem mais de 30 anos dificilmente escapou de uma “cura” na garganta em períodos de gripe. Aplicado pela mãe e orientado pela avó, o método consiste em aplicar o óleo de andiroba diretamente na garganta, para acelerar seu poder curativo e livrar a criança dos fluidos e inflamação local. Entretanto, é cada vez menos comum a aplicação deste conhecimento tradicional nas metrópoles amazônicas, o que em muito se deve à adesão ao saber científico, que prescreve remédios e tratamentos desenvolvidos dentro de um método científico. 
 
Os saberes intuitivos e práticos são relegados a uma condição mística, levando, por exemplo, tratamentos naturais a serem vistos como algo exótico e curioso. Dispostos a mudar este cenário e dar ao saber tradicional a reverência e respeito que merece, diversas correntes acadêmicas buscam valorizar e preservar o conhecimento ancestral, buscando compreendê-los e validá-los como uma rica fonte de informações capazes de solucionar problemas atuais da humanidade. 
 
Há 34 anos trabalhando com remédios e tratamentos feitos puramente com ervas medicinais, Clotilde de Souza, conhecida internacionalmente como Dona Coló, é uma das erveiras mais reverenciadas do Ver-o-Peso. Do alto dos seus 65 anos e membro da terceira geração de erveiras da família, ela iguala seus conhecimentos aos de um profissional de saúde. “O médico tem o diploma, mas eu tenho a sabedoria. Mal sei assinar meu nome em um papel, embora saiba receitar tratamentos para os mais diversos males do corpo e da alma”, resume.
 
Todas as ervas comercializadas na barraca nº 34 são plantadas, colhidas e manipuladas por ela em seu quintal, que também é a fonte de toda a medicina consumida pelos nove filhos e sete netos. Dona Coló revela o ingrediente principal de todos os seus preparados. “A fé e a positividade, tanto minha, que preparo, como a de quem consome são fundamentais para o sucesso do tratamento. Acho que não só aqui como em qualquer situação da vida”, descreve. Ela afirma nunca ter tido seus conhecimentos colocados em xeque, mas garante que existe uma barreira para sua aplicação. 
 
“Eu gostaria de ver a medicina tradicional no mesmo patamar de importância da medicina acadêmica, embora não acredite que chegue a ver esse dia, pois tudo que é comprovado, é tirado do saber tradicional e aplicado como um ‘achado’ científico”, observa. A descrença de Dona Coló com o reconhecimento de seu saber contrasta com a visão mais aberta de Rosineide de Oliveira Braga, de 34 anos, vinte destes dedicados à manipulação de ervas medicinais. “Eu sou uma cuidadora e tenho plena confiança nos meus conhecimentos, embora acredite que o saber tradicional e científico podem andar de mãos dadas”, opina.
 
Para ela, a investigação dentro do método científico pode ser positiva para definir doses e meios de utilização das plantas. “É muito bom perceber que hoje em dia até mesmo médicos receitam chás e tinturas, pois reconhecem seu efeito. Acho que, contanto que não haja apropriação do conhecimento e seja preservado o respeito, essa abertura vai gerar muitas coisas boas para todo mundo”, conclui.
 
BIOCULTURALIDADE
Há algumas centenas de milhares de anos, o conhecimento empírico e de observação garantiu a existência dos seres humanos e sua organização em sociedade. Todas as ciências nasceram do saber acumulado através das gerações. Porém, em um momento bem mais recente da história, o conhecimento tradicional foi para o banco de trás, dando lugar ao saber advindo da experimentação científica, que passou a ser a fonte número um do conhecimento. O exemplo das ervas é apenas um entre uma vasta gama de conhecimentos, que vão desde o comportamento de animais e identificação de venenos ao tratamento do solo e até o curso das águas, da nascente aos rios. 
 
Buscando trazer ao debate o cuidado de resguardar o imenso patrimônio material e biológico presentes nas diversas comunidades do Brasil, a academia tenta popularizar hoje o conceito de Bioculturalidade. “Há uma tendência global de retorno ao natural. A Etnobiologia e todas as etnociências já demonstram isso. Tentamos agora repensar nossas relações com as comunidades tradicionais”, apresenta a curadora do Herbário Marlene Freitas da Silva, da Universidade do Estado do Pará (Uepa), professora doutora Flávia Lucas.
 
O movimento mundial de resgate, preservação e respeito ao conhecimento tradicional se encontra em estágio bastante avançado se comparado ao Brasil. “O que nos alerta e nos choca é que na Amazônia isso ainda é muito tímido. Precisamos mudar este posicionamento para ontem. Vivemos em uma área de muita vulnerabilidade e é preciso que as pessoas que aqui vivem se deem conta do que está à sua volta e prestem real atenção para onde estão morando”, alerta a pesquisadora.
 
E ao contrário do que determina o nosso imaginário - dominado pelos estereótipos reforçados no dia-a-dia – o conhecimento tradicional não se encontra apenas nas mãos de comunidades indígenas, quilombolas ou ribeirinhas. Para exemplificar isso, a professora relembra uma pesquisa que desenvolveu em 189 quintais periurbanos do município de Abaetetuba. “Em cada um destes quintais existe uma pessoa que é referência no conhecimento e aplicação das plantas ali cultivadas. E o conhecimento de cada uma delas é específico às necessidades daquela família ou vizinhança, também passado oralmente de geração a geração. Tradição e cultura se desenvolvem em qualquer lugar, entretanto, persiste uma ideia um tanto naturalista de que comunidades tradicionais só terão repertório tradicional se estiverem no mato”, ressalta.
 
Neste ponto, a universidade entra com o método científico para catalogar informações que então serão compartilhadas com a sociedade. “A nova Lei de Biodiversidade veio prevenir práticas antiéticas que foram exercidas durante muitos anos, quando o pesquisador chegava em uma comunidade, se servia de seus conhecimentos e ia embora levando aquilo para si. Hoje há protocolos sérios,  muitos passos a serem seguidos para chegar a uma comunidade e conduzir uma coleta de dados”, conta.
 
A experiência de compartilhar conhecimentos ancestrais com cada comunidade é descrita com emoção pela pesquisadora. “Quando chegamos ao local, as titulações perdem o sentido, pois nos vemos diante de um repertório tão rico e tão profundo, sem data de início. É imemorial. Nos sentimos muito pequenos diante de tantos detalhes, preservados apenas pela oralidade”, analisa Lucas. O contato, quando realizado de forma ética, se transforma em um canal de conectividade espontânea. “Somos meros observadores, eles são os protagonistas”.
 
Reverter o quadro atual, na avaliação da pesquisadora, é uma das missões da universidade. “A Bioculturalidade cabe nos currículos de todos os cursos. É nossa obrigação conscientizar estes profissionais em formação do seu entorno. Fazê-los perceber que vivem rodeados de um bioma rico e cheio de peculiaridades e é missão deles trabalhar e reconhecer isso”, conclui.
 
INTERCULTURALIDADE
O Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor), executado pela Uepa, trabalha para ampliar o diálogo entre os saberes, quando professores também se tornam alunos ao interagir com comunidades tradicionais. “Foi a partir da experiência como professores formadores que tivemos o olhar voltado para uma nova relação pedagógica ao trabalhar a formação de professores no Parfor, ou seja, estabelecer um contato formativo em dimensões diferenciadas das que temos com a graduação extensiva, cujo perfil do alunado é totalmente distinto. Nesse ponto, há um desafio muito grande e ao mesmo tempo um rico aprendizado”, resume a coordenadora do Parfor na Uepa, a professora doutora Kátia Melo. O Parfor/Uepa já formou 1.505 professores, atualmente conta com aproximadamente 49 turmas e cerca de 1.436 alunos em formação em mais de 30 municípios do Pará.
 
A experiência desses professores em formação, que trazem uma bagagem de saberes, obrigou a coordenação do programa a rever seus métodos. “Isso é legítimo e de extrema importância para a academia, que precisa incluir saberes pulsantes e orgânicos de nossa Amazônia Paraense, enfrentando aquilo que Boaventura Santos chama de ‘sociologia das ausências’ no seio da academia, ou seja, neste espaço devem estar presentes outros saberes”, pontua a coordenadora, que cita como exemplo as turmas interculturais indígenas recém-formadas dos povos Waiwai e Tapajós Arapiuns.
 
“A turma Waiwai começou e terminou com 36 alunos. Não teve evasão, isso é emblemático no Programa, pois se trata de um povo falante da língua nativa, suas aulas sempre necessitavam de intérpretes. Essa foi uma experiência riquíssima para os professores formadores desta turma, na medida em que além da difusão do conhecimento, necessitavam de deslocamento para as aldeias, buscar modos e métodos de comunicabilidade e reciprocidade no processo formativo”, relembra. Diante de todas as adversidades, eles chegaram até o final do curso, e já protocolaram na coordenação do Parfor o pedido de uma pós-graduação, o qual foi encaminhado ao Centro de Formação dos Profissionais da Educação Básica do Estado do Pará (Cefor) e ao Fórum Regional do Parfor.
 
A outra turma intercultural, dos Tapajós Arapiuns, cuja sede do curso funcionava no campus da Uepa em Santarém, também reunia uma especificidade: alunos de oito etnias diferentes, que também trocaram conhecimentos entre si. “Isso reitera a necessidade da relação entre os saberes tradicionais e científicos numa perspectiva de descolonização do saber, mostrando que todos são fundamentais para a sociedade com vistas a preservação da humanidade”, pondera a coordenadora.
 
Para garantir que a troca de conhecimentos se dará de forma adequada, as Instituições de Ensino Superior (IES), debatem constantemente a respeito do perfil do professor formador, uma vez que ele precisa estar atento e aberto a um processo formativo interativo, participativo, que implica flexibilidade, escuta e respeito aos professores que estão em formação e de sua base de conhecimento. “Nesta direção, a perspectiva Freireana é fundamental, para pensar a educação de forma dialógica, democrática e plena de respeito. A questão do conflito dos saberes científicos e tradicionais, perpassa pela quebra do paradigma de que o saber científico é a verdade absoluta. Esse é um grande exercício. Todavia, o professor formador que não entende isso, passa ao largo do Programa”, avisa Melo.
 
A solução para a abertura do diálogo proposta pela coordenadora é similar àquela apresentada por Flávia Lucas: a inclusão do conhecimento tradicional amazônico nos currículos universitários. “Há uma necessidade que mais autores amazônicos estejam nos currículos, nas leituras obrigatórias, bem como autores latinos americanos. Isso não implica em um abandono aos clássicos europeus e estadunidenses, mas sim que possamos conhecer e nos apropriar da produção latino-americana, o que representará a afirmação identitária, a qual traz ao seu povo uma maior clareza sobre si, autonomia e soberania”, conclui.
 
A fala de Kátia Melo ecoa a do reitor da Uepa, Rubens Cardoso, que reconhece a necessidade de inclusão do conhecimento tradicional produzido na Amazônia e de estabelecer uma conexão direta com as comunidades. “O Pará é multicultural. Sendo a Uepa uma das maiores universidades multicampi da região, é natural que estejamos em posição de ampliar este diálogo”, observa. “Evoluir é necessário, inovar também. Entretanto, é possível construir conhecimento incluindo o saber tradicional, ao invés de negá-lo. É uma questão de mediação e respeito e ainda temos muito a aprender com eles”, acrescenta.
 
APRENDIZADO
A integração do saber tradicional na academia também inclui as pesquisas na área de Saúde. O Laboratório de Morfofisiologia Aplicada à Saúde da Uepa possui diversas linhas de pesquisa que tem por princípio introduzir em suas investigações o conhecimento tradicional e diversos pesquisadores determinados a validar o que também lhes foi passado através de gerações. “O saber popular guia a pesquisa. Todo amazônida tem algum grau de contato com o conhecimento tradicional. Usamos isto para definir as plantas e substâncias a serem estudadas e suas aplicações”, conta o coordenador interino do Laboratório, professor doutor Anderson Bentes, que também passou pela experiência da “cura” da garganta com andiroba.
 
Conforme dito por Flávia Lucas, a inclusão do conhecimento tradicional na academia em instituições do exterior é mais amplo. “Algumas publicações são específicas para isso e outras exigem que este saber seja incluído no trabalho, respeitando todos os protocolos de preservação. Revistas alemãs e americanas bastante renomadas adotaram estes procedimentos para publicação de artigos”, conta o coordenador. A mobilização dos pesquisadores paraenses não para nos muros da Uepa, que mantêm parceria ativa com diversos laboratórios da Universidade Federal do Pará (UFPA) para realização de seus estudos.
 
“O que tentamos fazer é determinar as doses adequadas para as diversas aplicações. Algumas plantas, se utilizadas em excesso, são tóxicas. Como muitas pessoas veem os remédios naturais como inofensivos, isso pode ser prejudicial se não houver uma orientação neste sentido”, ressalta Bentes. Os olhos da aluna de Terapia Ocupacional Renata Silva denunciam a paixão pelo conhecimento tradicional ao relembrar seu bisavô. “Ele tinha um quintal com diversas plantas em Vila da Paz e sabia como usar cada uma delas. Eu o reverenciava, tudo que ele sabia e como as pessoas o respeitavam por dominar aquele conhecimento. Por causa dele quis ser pesquisadora”, conta.
 
Atualmente, ela trabalha com a aplicação do extrato liofilizado da aloe vera amazônica associado ao ultrassom em ratos com tumor de Ehrlich, para verificar sua eficácia no tratamento. A pesquisa é orientada pelo professor doutor Jofre Freitas, e ainda está em andamento, mas já apresenta resultados promissores.  “O ideal é que na região amazônica consigamos chegar ao nível das pesquisas e utilização de plantas medicinais que é feita no Japão, onde existem muitas pesquisas sobre os reais efeitos de cada planta e de seus compostos sobre o nosso organismo saudável e doente. Da mesma forma, existe uma forte regulação sobre os produtos que são lançados no mercado permitindo que cerca de 70% dos médicos japoneses prescrevam para seus pacientes a utilização de plantas medicinais”, explica Freitas, que também coordena o Laboratório de Morfofisiologia.
 
As professoras doutoras Tereza Cristina e Kátia Kietzer orientam a aluna Jamylle Campos na pesquisa que investiga os efeitos anti-inflamatórios da andiroba associada ao ultrassom no tratamento de lesões em ratos. “Investigar um tratamento tradicional não parte de uma desconfiança de sua eficácia e sim da certeza de que aquilo funciona, pois crescemos com aquilo. Sabemos que dará certo e queremos mostrar para o mundo, dentro do método científico, que funciona”, esclarece a professora Tereza. 
 
O Pariri, também conhecido em outras partes da Amazônia como Crajirú, é o objeto da pesquisa dos alunos João Paulo Menezes e Raphaely Progênio. Orientados pelos professores Rodrigo Santiago e George Dias, eles investigam o alto poder de cicatrização da planta em lesões de pele em ratos. “Sempre tive uma forte ligação com a área da Saúde Pública e as plantas são um remédio acessível para a população. Vejo que a abertura para tratamentos alternativos é cada vez maior e o respeito também é crescente. As pesquisas podem amparar políticas públicas futuras que incluam estes tratamentos no Sistema Único de Saúde (SUS)”, espera João Paulo.
 
Texto: Fernanda Martins
Fotos: Nailana Thiely
 
 
 
 
 
 
 
Tags: 
Fonte: http://www.uepa.br/pt-br/noticias/ci%C3%AAncia-vai-ao-encontro-da-tradi%C3%A7%C3%A3o